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De psicóloga a desenvolvedora: minha transição de carreira

Onde tudo começou

Passei seis anos como psicóloga hospitalar, boa parte desse tempo em UTIs de trauma. É um trabalho que exige decisão rápida, leitura fina do que não está sendo dito e a capacidade de manter a cabeça fria quando tudo ao redor está em crise. Eu gostava do trabalho — mas em algum momento percebi que queria construir coisas que durassem além do plantão, que pudessem ser revisadas, melhoradas, versionadas.

O salto

Em 2021 entrei na Kenzie Academy Brasil pra estudar desenvolvimento web fullstack. Não foi uma decisão impulsiva: eu já vinha testando os limites da minha curiosidade técnica havia um tempo, mas foi ali que virou rotina — lógica de programação, HTML/CSS, depois JavaScript, bancos de dados, os primeiros projetos que quebravam e eu não sabia por quê.

O que ninguém me contou antes é que trocar de carreira aos trinta e poucos não é recomeçar do zero. Seis anos lendo pessoas sob pressão, tomando decisões com informação incompleta e comunicando coisas difíceis de forma clara viraram, sem que eu percebesse, ferramentas de trabalho em engenharia de software também. Debug é, em boa parte, hipótese e leitura de sinais. Design de interface é, em boa parte, empatia com quem vai usar.

Da bootcamp ao fintech

Meu primeiro emprego como desenvolvedora foi na Onesight, em 2022, trabalhando com Vue.js e PHP/Symfony. De lá fui pra Wealth99, uma fintech internacional, onde passei três anos construindo fluxos críticos de operações financeiras — migração de Vue 2 pra Vue 3, integrações com APIs externas, times distribuídos em fusos horários diferentes. Hoje estou na Sovis, desenvolvendo APIs em Java Spring Boot e interfaces em Vue.js para uma plataforma de BI, e cursando um MBA em Arquitetura de Microsserviços.

O que eu levo comigo

Não vejo a psicologia como um capítulo fechado. A capacidade analítica sob pressão que desenvolvi nas UTIs continua sendo a mesma que uso pra debugar um sistema em produção às três da tarde com usuários esperando. E a visão de UX — entender que por trás de toda tela existe uma pessoa tentando resolver um problema real — é algo que levo pra cada linha de código que escrevo.

Esse blog vai ser, entre outras coisas, um espaço pra registrar esse processo: o que aprendo construindo sistemas, os problemas que resolvo e, de vez em quando, como essas duas carreiras continuam conversando entre si.